RIO, DE CIMA

| CAMINHADAS

Villa Lobos chamou sua Sinfonia No 6 de “Sobre a linhas das montanhas do Brasil”, em homenagem ao traçado que adorna o litoral carioca e encanta todos os que aportam por aqui, desde os primeiros portugueses.

As imagens mais bonitas do Rio de Janeiro, seguramente vêm de cima. E não digo apenas do Cristo Redentor ou do Pão de Açúcar, mas de cada um dos vários “cimas” que emolduram a cidade.

O mais famoso deles, a Pedra da Gávea é o paraíso das mitologias surfe-hippies, cercada de histórias sobre inscrições fenícias de supostos povos primitivos que teriam estado aqui antes mesmo do descobrimento. Infelizmente o mistério mais conhecido é o dos inúmeros assaltos aos grupos de adolescentes que resolvem subir a trilha – de 2 a 4 horas – nas noites de lua cheia, para passar a madrugada sob o luar. Os que chegam, dizem que é imperdível. Na dúvida, prefira ir dia e com alguém que conheça o caminho. Leve comida, água e prepare-se para muitas dores musculares na semana seguinte. Não é para os fracos.

De frente para a Pedra da Gávea, fica a Pedra Bonita. A subida não representa qualquer dificuldade ou perigo e de 30 minutos a 1 hora qualquer pessoa é capaz de chegar ao topo.  A subida fica no pé da pista de voo de asa delta, onde você pode dar uma espiadinha ou mesmo brincar de Ícaro e se arriscar num voo duplo. Para subir, passa-se por uma guarita, onde é preciso deixar seu contato com o vigia. Tudo seguro e controlado, como deve ser.

Ambas as pedras fazem parte do Parque Nacional da Tijuca, uma enorme área de Mata Atlântica dentro da cidade. O Rio é a única metrópole do mundo a ter uma floresta dentro da cidade. E “dentro” não é meia hora de carro, mas a 15 minutos de bicicleta da praia, por exemplo. De doer a alma, não é?

O Parque da Tijuca é dividido em várias partes. As mais conhecidas são a Serra da Carioca, que tem um post só seu, e a Floresta da Tijuca, onde fica a sede do parque. A entrada fica no Alto da Boa Vista e dá pra chegar até a porta, de carro ou ônibus. Há grutas, cascatinhas, um centro de visitantes, um restaurante teteia chamado Esquilos, a capela Mayrink,  cujos painéis sacros são de Portinari, e dois picos muito especiais: o Pico da Tijuca e o Bico do Papagaio. São caminhos longos, que partem do mesmo lugar – o ponto final do interior da área fechada do parque. O Bico do Papagaio dá uma canseira, mas o Pico da Tijuca é, em sua maior parte, leve. A surpresa é atravessar o meio do mato para chegar a uma escada esculpida na pedra, com uma espécie de corrimão feito com uma corrente bem grossa. Uma das várias lendas diz que isso foi construído no início do século XX, aparentemente para vinda de algum rei belga, grande apreciador de montanhismo. Se chegar até aí, engula e suba os 117 degraus. Você estará a cinco minutos de uma vista 360o da cidade.

Para terminar, volto para o início. Falar que o Rio não se restringe ao Cristo Redentor e ao Pão de Açúcar não é desencorajar ninguém a ir nesses lugares. Mas por que não encorajar a ir por dentro?

Para o Cristo, há uma trilha gracinha por dentro do Parque Lage desembocando do trilho do trem antigo – que até hoje sobe do Cosme Velho – por onde se segue até lá em cima. No caminho, micos e macacos pregos, papagaios e tucanos, são todos figuras mais que fáceis de encontrar. Aliás, a coisa mais incrível de fazer trilhas não é nem a vista, ou mesmo a chegada. O caminho em si e, mais ainda, a companhia dos bichos que lhe espiam de soslaio ou o canto dos pássaros que lhe acompanham, vale o passeio. No caso do Pão de Açúcar o caminho que leva até o topo foi interditado por ser muito perigoso, mas é possível até o Cara de Cão, o pico do meio, por um caminho claro e até excessivamente sinalizado, a partir da pista Cláudio Coutinho – também conhecida como caminho das borboletas, com certeza o maior santuário de tiês sangue no mundo! –, na Praia Vermelha. Sendo que esse é apenas um dos vários caminhos, de diferentes níveis de dificuldade, que se pode pegar daí.

Depois de cada uma dessas aventuras, não se preocupe, terá um bar com cerveja ou caipirinha geladas esperando embaixo. E um táxi com ar condicionado.

 




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