Antes que eu seja desmascarada pela oposição, me entrego. Já detestei Madri com a intensidade que se detesta o Latino ou a moda do salto alto de acrílico.

Começou quando decidi passar um tempo na Espanha, logo após a faculdade. Não conhecia o país e conversando, ouvi insistentes vezes que Barcelona era como o Rio e Madri, como São Paulo.  Na terceira vez que me disseram isso, tive certeza que a Cataluña era meu destino, com base nos critérios de uma boa carioca bairrista – e uma menina um bocado tola.  Foi um ano de lua de mel com a existência e se não tenho uma tatuagem em homenagem à cidade no antebraço é por medo de agulha. Enquanto me apaixonava por Gaudí e me afundava na cava, aprendi a implicar com a capital como se separatista fosse.

Minha primeira ida não ajudou. Madri é metrópole de verdade, que te deixa um pouco desorientado, com uma beleza menos óbvia e sem o bônus da brisa do mar. Como não há mal que pra sempre dure, um dia o feitiço acabou e me encantei pela simpatia das pessoas, pela comida extraordinária e pela elegância brejeira da cidade. Nessa hora, ficou difícil ir embora. Dá vontade de ficar por lá, nem que seja vendendo sorvete no parque. O que convenhamos, é melhor do que vários outros empregos.

Vamos aos meus cinco programas favoritos:

  • Parque del Retiro – parque de país rico é sempre legal, mas esse merece um olhar especial porque ele tem um jardim que poderia ter sido feito pelo Edward, mãos de tesoura, e pelo Palácio de Cristal, que vai ao encontro das fantasias da infância.
  • Monastério de las descalzas – é um pequeno museu, em um prédio lindo e inesperado no meio da cidade. É uma pausa no tempo, cheia de paz e beleza. O bacana é marcar uma visita guiada, porque além de ser interessante é uma forma de acertar o horário da visita, já que eles não abrem alguns dias.
  • Museo del Prado – nunca se viu tanto Velàzquez e El Greco em um só lugar. Eles são gentis e montam visitas perfeitas, de 1, 2 ou 3 horas. Seja obediente e aproveite seu tempo por ali.
  • Museo Sorolla – adoro entrar nas casas onde os artistas viveram. Parece-me a forma mais comovente de entender quem eles foram. A do impressionista espanhol não decepciona e tem um jardim esplendoroso.
  • Museo Thyssen – poucos museus tem uma curadoria tão competente por trás.  O prédio é lindo e as exposições são usualmente extraordinárias. Depois da visita, vale tomar uns drinks no bar e ficar à toa no jardim.



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