Demorou muito mais do que gostaríamos, mas finalmente chegamos a Chicago. A culpa é nossa que exercemos com gosto a procrastinação, mas ninguém mandou colocarem uma cidade tão boa no Middle West.

Já desistimos de esconder nosso lado hiperbólico. Amamos Chicago. Queremos casar com Chicago. Sim, usamos roupa igual a Chicago. Todo mundo sente a mesma coisa, ainda que as respostas sejam mais contidas. Há algo extraordinário em uma cidade onde a arquitetura acachapante encontra seu espaço entre o rio, que tudo permeia, e o onipresente Lago Michigan.

Montamos, mais uma vez, um fim de semana ideal. Ficamos hospedados em Wicker Park e por ali, a vida foi só alegria, ainda que longe da efervescência de downtown.

Sexta:

  • Comecemos pelo almoço para manter a ilusão de que você rolou na cama até tarde. O Acanto é daqueles restaurantes lindos para ir no frio, mas que te permite se refestelar ao sol se sol houver. Foi um dia sem amarras e dividimos entre três todos os grissinis do mundo, a salada de figo com presunto cru, a de beterraba com queijo de cabra e pickle de maçã, o rigatoni com ragu de cordeiro, o ravioli de lagosta e o spaghetti cremoso com ovo de pato.  Foi incrível e o único arrependimento da mesa foi não ter pedido um spaghetti por pessoa. Quase deu briga.
  • Não será fácil, mas rume ao Millennium Park. O Cloud Gate, ícone do Anish Kaapor – injustamente apelidado de feijão -, é maravilhoso, mas as esculturas do Jaume Plensa não ficam atrás.  O Lurie Garden é uma ternura como devem ser os jardins. O mais legal de tudo é Jay Pritzker Pavilion, onde você pode assistir um show inesquecível. Basta dar uma olhada na programação.
  • Cansado do frio ou do sol, rume ao Museu de Arte Contemporânea e deleite-se com um acervo bom à beça, com direito a vários Hoppers, razão do nosso afeto.
  • Já cheio de cultura, é hora de ir para o The Allis. A dica é se entregar ao chá da tarde e provar todos os pequenos sanduíches e bolinhos, enquanto você toma quantos drinques desejar. Quando cansar, passeie pela North Green e veja os bares lotados dessa gente entusiasmada.
  • Para não dizer que tudo são flores, essa dica demanda uma reserva antecipada. Mas se você foi planejado, rume para o Cindy’s, bar e restaurante do Chicago Athletic Hotel. A vista é assombrosa e os drinques fora de série. O Grey Garden e a burrata com legumes assados e sálvia ganharam nossas palminhas.

Sábado:

  • Até brunch cansa às vezes. Para variar, vá para o  Hoosier Mama Pie, tome um bom café e uma torta de maçã de perder o rumo.
  • O boat tour do Chicago Architecture Foundation é fundamental na formação de todos nós. São preciosas horas nas quais você compreende a arquitetura do século XX e jura que será sempre capaz de identificar a época de construção de qualquer prédio, com um simples olhar. Se essa sensação passar rápido e mesmo com bastanteesforço, você souber apenas diferenciar pedra de vidro, saiba que estamos juntos.
  • Saindo do passeio, desbrave o parque e o centro histórico da cidade.
  • Dentre toda a belezura e calor humano que essa cidade apresenta, nada nos marcou tanto quanto o Bavette.  Sem exagero, jantaríamos aqui a cada três dias e facilmente juraríamos fidelidade. Mesmo. Entregue-se às ostras e ao bacon com mapple para começar. Depois desrespeite tudo e peça o lamb chop. O melhor que já comemos, de longe, mas cordeiro é uma carne manipuladora, que afeta nossas referências.  Na hora do prato principal, não pense duas vezes: bone in ribeye. É bom demais e o molho bernaise é mais que suficiente, mas não resistimos ao milho com limão e chili. De sobremesa, o sorvete de whisky é tudo que cabe – e é poesia – mas respeito quem tem apetite para o cheesecake.
  • Depois de um banquete, ninguém pode pensar em ir para casa. O Violet é um bar divertido, com drinques fenomenais. Dê um desconto para decoração pretensiosa.

Domingo:

  • Acorde com preguiça e quando a energia voltar vá para o Big Star. O bar favorito de quase todo mundo – e por isso, lotado – conquistou esse posto com música muito boa e uma turma bem animada. O blue jeans é um bom drinque vespertino, mas se você estiver cansado, atenha-se às comidinhas. Nosso tacos favoritos são de barriga de porco, peixe e cogumelos. Vale, porém, a regra de desbravar o menu pequenino e terminar com o cookie de chocolate com pimenta.
  • Quando você conseguir sair do Big Star, rume para o Bloomingdale Trail um parque elevado, nos moldes do High Line. Foi inaugurado em 2015, o que quer dizer que ainda falta bastante para ficar florido e formoso. Dito isso, é uma grande maneira de ver a cidade e sua gente. No meio do caminho costuma ter uma bandinha e  casais dançando, o que amolece qualquer coração.
  • No caminho do aeroporto, pegue uma sorvete no Jeni’s, que não à toa tem como segundo nome esplêndido. Lavanda, manga e bourbon com amêndoa é nosso trio predileto, mas dá vontade de provar todos. Prove!



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