Das primeiras coisas que aprendi morando na Espanha é que eles acham inaceitável que alguém coma sozinho. Nada horroriza mais um espanhol do que a imagem de um pobre diabo devorando um big mac no metrô.  A comida é sagrada e o ritual reverencial precisa estar à altura. Há de se estar cercado por pessoas queridas, vinho e um número de pratos suficientes para que a refeição dure horas. Claro que depois de tudo isso, fica difícil não se entregar à preguiça.  O que não chega a ser um problema em uma cultura que jamais se desligou da soneca depois do almoço.

Introdução feita,  comer bem em Madri é fácil, mas há de se colocar ressalvas. Eles são mestres em atocharem tortilha de batata e um bocado de pão meio ruim nas pessoas. Claro que não é um cenário dos mais pavorosos, já que batata e trigo sempre trazem alegria, mas é preciso resistir e ir além. Madri reúne grandes restaurantes de todas as regiões do país e é pecado – dos mais graves – não provar um pouco da Galícia, Andaluzia e País Basco, dentre outras maravilhas.

Como de costume, a gente lista aqui os cinco que conquistaram nossos estômagos e corações.

  • Algarabía – duas irmãs, Isabel e Pilar, decidiram abrir um restaurante onde elas fariam tudo, inclusive uma comida deliciosa da Rioja – todo o chorizo que alguém pode desejar no mundo. Elas são calorosas, não perdem a mão jamais e são as pessoas perfeitas para te ensinar o que a Espanha tem pra oferecer. Vale à pena reservar.
  • Carzola – o glamour fica de fora aqui. Essa rede de bares andaluzes oferece mesas altas de mármore, com algum charme e nenhuma formalidade. Os frutos do mar são fantásticos e é o lugar ideal para provar o que você não conhece, como almejas, navajas  ou boquerones. Para diversificar os investimentos, vale pedir camarão ou lagostim, que são fontes inequívocas de alegrias. O serviço é, talvez, a melhor parte. Na minha última visita, o garçom insistiu para que eu levasse o bombom que acompanha o café na bolsa. Eles ficam preocupados com a nossa fome no final da tarde.
  • El Club Allard – duas estrelas Michelin, campeão do Trip Advisor e o predileto de todo mundo.  Eles estão com tudo e bem prosas.  Dependendo do menu de escolha, você pode se deparar com quinze pratos e três horas de revolução. É comida muito boa e feita para impressionar. O fator fundamental para conquistar a nossa simpatia é que apesar desse sucesso, os vinhos que acompanham são fantásticos e com preços razoáveis. Você sai de lá um pouco mais pobre, mas consideravelmente mais feliz e sem jamais se sentir engabelado.
  • El Paraguas – para quem cresceu nos anos 80, esse é o típico lugar aonde seus avós te levavam para comemorar o seu aniversário. Tá bom. Talvez tenham sido apenas os meus, mas espero ter despertado a imagem do restaurante tradicional, com música clássica. Eles entraram nessa lista por uma razão: o hambúrguer com foie. O cardápio é permeado de ofertas obscenas, mas esse sanduíche não saí da minha imaginação. Justiça seja feita, a torta de maça com sorvete de chocolate branco também marcou o dia.
  •  Tximiri – a definição mais correta seria de taverna. O ambiente é simples e muita gente come de pé, no balcão. Particularmente, acho um erro, porque o corpo precisa estar relaxado para receber a sucessão de presentes que saem dessa cozinha do Norte. Sem exagero, cada uma das vezes que estive lá, senti que eles haviam lido os meus pensamentos e combinado meus ingredientes favoritos. Do secreto ibérico com caramelo de mostarda ao ravioli de abobrinha com creme de queijo e manjericão – sem jamais esquecer o rolinho de pato -, não há um prato que não dê vontade de pedir bis.



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