Você já foi pra Caraíva. A primeira vez foi em 1978, com a sua família hippie e vanguardista. Naquela época não havia nada por ali, nem energia elétrica, nem a burguesia paulistana. Eram só vocês e os pescadores. Eu admiro você e queria compartilhar das suas memórias infantis. Na minha família a gente jogava mímica depois do churrasco no quintal da casa da minha avó. Para aventureiros, nunca servimos. Apesar da sua superioridade inquestionável, preciso avisar: esse post não é para você, por isso nem pense em nos atormentar questionando a relevância de falar sobre Caraíva.

A Bahia desperta esse sentimento nas pessoas. Todo mundo quer ter fincado a primeira bandeira nas areias brancas dessas cidadezinhas que são melhores do que imaginávamos quando líamos Jorge Amado. A forma mais comum de descrever um achado é dizer “tal lugar é o que Morro de São Paulo foi há vinte anos atrás”. O que quer dizer pouco, já que sempre vai existir um lugar mais intocado e alguém que o conheceu décadas antes de você. Caraíva, por exemplo, foi descoberta pelos portugueses em 1530 e veja você, continua a mesma flor de formosura.

Discurso inicial feito, na última década Caraíva se tornou um destino elitista, o que torna a deixou mais cara, mas também criou uma estrutura melhor, o que garante um número maior de visitantes ao longo do ano, o que é importante para quem vive no vilarejo.

Vale à pena ir para lá nem que seja para ver o céu. Você anda com os pés na areia, vendo o reflexo das estrelas e da lua no rio e conclue que há mais beleza no mundo do que admitimos nos dias de mau humor.

O melhor jeito de chegar é agendar um táxi para te buscar no aeroporto de Porto Seguro. Alugar um carro é besteira porque ele vai ficar parado, torrando no sol de um estacionamento improvisado. São várias opções de pousada, mas as minhas favoritas são a Pousada da Praia, Lagoa e San Antônio. Vale à pena também alugar uma casa no Airbnb, se você preferir espaço e abrir mão dos cafés da manhã fenomenais, com destaque para o pão de queijo, o queijo quente e  a tapioca respectivamente.

Chegando lá e tendo teto e banho, não se preocupe com nada, porque a vida vai ser boa, sem nenhum esforço. Durante o dia, as principais fontes de alegria serão:

  • ficar na Barra, alternando mergulhos no rio e no mar e entregue à água de côco e à brisa. lá você escolhe se quer fazer stand up paddle ou o novo esporte do verão.
  • caminhar até à Praia do Espelho é um programa que faz sucesso. são quase três horas de uma caminhada linda, que causa invariável boa impressão. na Praia do Espelho você pode comer no restaurante da Silvinha, que é bem gostoso ou no da Mel, filha da mesma. pra voltar, pegue um táxi ou uma carona. ida-e-volta andando é exibição.
  • passar o dia em Corumbau – uma área de preservação indígena linda de morrer, com 15 km de uma praia deslumbrante. como ninguém é bobo, lá eles também têm pousadas fabulosas, onde você pode comer e lagartear pelas espreguiçaderas.
  • subir o rio de barco e descer de bóia. parece um programa bobo, mas você chega até um ponto fantástico da região e você vê uma vegetação surpreendente.

De noite, você pode comer no Pará, que é o bar mais famoso da península e tem um pastel de arraia que atrai multidões. Eu também gosto do camarão grelhado e de quase qualquer coisa que sai daquela cozinha. Um restaurante que oferece comidas parecidas e todos os bobós que você desejar é o Culinária Central, que fica na rua entre o rio e a praia.  Outras opções boas são a Cachaçaria, que tem comidinhas perfeitas pra quando você cansou da temática praiana; o Jardim Sushi, com o peixe mais fresco da história e a o Bar do Porto, que é uma pizzaria com aquela massa fininha que nunca decepciona.

Esses lugares podem ser o último ponto da sua jornada, assim como o início da sua noite. A partir das onze, ou um pouco mais tarde, os ânimos se alteram e visitantes e locais ficam num rebuliço que só eles. O destino mais aclamado é o forró, que dependendo na noite vai ser no Pelé ou no Ouriço. Não se preocupe, um é ao lado do outro e a fila na porta não deixará dúvidas.

Já devidamente adaptado, entregue-se ao Netuno ou à Busca Vida geladinha. Nem pense em se envolver com batida de côco – um erro fatal que cometo todos os verões. O truque é dançar com quem te chamar, sem muita frescura, até que, com sorte, você descobre com quem prefere ralar suas coxinhas.

Quando a cidade está cheia, acontecem outras festas que merecem sua atenção. Para descobrir onde elas são, escute as conversas na praia enquanto você se lambuza de açaí com cupuaçu. Aí aproveite, se aprochegue e entre na roda.

 




  • Loading
    http://www.ovodecodorna.com/wp-content/themes/ovocito-v3

    Seja da nossa turma.
    Cadastre-se!

    Cadastre aqui seu email

    X

    Seja da nossa turma.
    Cadastre-se!

    Cadastre aqui seu email

    X