CENTRO DO MEU AFETO

| CENTRO HISTÓRICO

A minha intimidade com o centro da cidade era tão pouca, que quando entrei numa universidade – que ficava na Avenida Rio Branco -, ganhei um mapinha, colorido e plastificado. Santo presente, porque entre executivos e camelôs, ninguém tem tempo pra te dizer onde é a rua do Ouvidor.

Demorei pra ver graça no Centro. A cortina se abriu quando levei a primeira amiga para conhecer. De lá pra cá, foram muitas visitas guiadas. Esses são os pontos altos do meu passeio:

Convento de Santo Antônio – essa igreja é especial por diversos motivos e vê-la no dia do santo que a nomeia é um espetáculo sem par. No canto direito desse antigo forte, uma capela de ouro. Pode morder que é 24k.

CCBB – palco de várias da melhores exposições da cidade, esse edifício neoclássico mereceria sua visita ainda que continuasse sendo a Associação Comercial do início do século passado.

Ilha Fiscal – com algum constrangimento, assumo que a minha animação ao conhecer o cenário do último baile do império foi imensa. A ponto de ligar para o meu avô, comandante da Marinha, para saber como faríamos para que meu casamento fosse ali. Com quem? meu avô perguntou e a conversa parou por aí.

Paço Imperial – esse edifício colonial do século XVIII fica tão à vontade no início da rua Primeiro de Março, que é difícil imaginar que Dom João VI despachava aqui. Hoje eles oferecem cinema, café e livraria. Uma tríade capaz de atender a todas as minhas demandas.

Real Gabinete Português – é mais lindo do que o seu sonho mais elaborado, com o brinde de que é possível estudar lá, o que me parece desafiador, tendo em vista que poucos lugares oferecem tantos estímulos visuais.

Comece ou termine seu passeio com um almoço lendário:

Brasserie Rosário – no sobrado centenário, onde um dia foi a tesouraria do Império, agora figuram pratos elaborados e sanduíches espertos em pães muito respeitáveis.

Confeitaria Colombo – patrimônio cultural, artístico e dos doces portugueses. Eu não adoro a comida daqui, por isso recomendo que as sobremesas (podem e devem ser no plural) sejam antecedidas por um sanduíche de linguiça – idílico -da Pavelka, que é logo em frente.

Eça – dentro da H. Stern, reino da elegância e a alta gastronomia.

 Desvio de rota:

Às vezes, não consigo chegar no Centro, porque paro no MAM e nunca mais saio de lá. Talvez porque eu ame o projeto do Affonso Eduardo Reidy, com o paisagismo do onipresente Burle Marx. Talvez porque as exposições são ótimas. Talvez porque o Laguiole seja um restaurante que seria maravilhoso em qualquer outro lugar. E com toda certeza, porque a vista é escandalosamente bonita.

 




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